Porquê brincar?

Correntemente, cuidadores e crianças vivem rotinas muito estruturadas que não permitem uma gestão do tempo da perspectiva da infância. Essa imposição constante de objectivos e metas dificulta os processos naturais de auto-descoberta e de maravilhamento associado à curiosidade intrínseca de cada criança, a que se chama brincar.

No entanto, neste momento existem pilhas e pilhas de evidência da Psicologia, à Sociologia, das Neurociências à Biologia que indicam que brincar é fundamental para o desenvolvimento do cérebro e do corpo. Hoje sabe-se que enquanto brincam, as crianças, aprendem a gerir emoções, a relacionar-se com o outro, a ser mais resilientes diante as dificuldades,  a desenvolver a criatividade, a imaginação e capacidade de improviso e gestão de riscos, a sua autonomia, a conhecerem o seu corpo e as suas limitações

De tal forma que as Nações Unidas quando assinaram a Convenção dos Direitos da Criança em 20 de Novembro de 1989, conferiram às crianças o direito a brincar (Artigo 31º).

Mas brincar é um comportamento cujo resultado é aparentemente  intangível e não-produtivo, talvez por isso, tem vindo a ser considerado uma actividade humana supérflua a ser relegada para segundo plano nas agendas das famílias, das escolas e do poder político.

Não dar tempo e espaço às crianças para brincarem livremente pode ser, em última instância, um problema de saúde pública. Um futuro com crianças incapazes de correr riscos, de desenvolver a sua autonomia, de gerir emoções, de se relacionarem com o outro, se exercerem a sua cidadania e pensar fora da caixa sobre velhos problemas. ansiedade, falta de confiança, etc…

Mas na verdade, brincar é um estado a que não só crianças mas também adultos têm prazer a se entregar e tiram muitos benefícios disso (TED talk do investigador Stuart Brown).

Assim, é urgente providenciar às crianças, às suas famílias e restante comunidade espaço e tempo de brincadeira livre, sem objectivos, sem pressão, sem agendas.