Macaquinho nas Academias Gulbenkian do Conhecimento

Até que ponto a nossa intervenção ajuda uma criança a mudar a imagem de outra criança? Até que ponto ajuda a mudar a imagem do recreio? Ou da escola?

Após uma das mais longas e intensas intervenções em escola desde que iniciei a prática de Brinconauta com a Associação 1, 2, 3 Macaquinho do Xinês, estas e outras questões continuam a pairar no ar. Are we capable of leveling the playing field with the loose parts sessions? Is it necessary to level the playing field? Como descrever um movimento de brincadeira?

Muitas sessões aconteceram, e talvez uma hora semanal de tralha por cada turma não preencheu a forte necessidade de brincar que estas crianças transpiravam. Muita vontade ficou em poder continuar a oferecer um tempo e um espaço para brincar com a tralha. Senti que elas sugaram muito dos materiais e da “aula de brincar” como uma das crianças dizia. E que ansiavam por mais, por mais tempo para brincar de formas mais livres dentro daquele recreio tão acondicionado. Talvez em nós (sessões com tralha) tenham visto uma ou várias alternativas, tenham experimentado um escape. Um escape do adulto, da vida-agenda adulta, voltar a ser criança.

Senti que a observação e a escuta das crianças e das suas brincadeiras estiveram presentes na equipa do Macaquinho durante as sessões com as turmas. Gostaria de ter tido (talvez tenha faltado) mais tempo e disponibilidade para refletir com mais profundidade e atenção o perfil de cada turma, os ciclos de brincadeira, o impacto da nossa intervenção, as formas de potenciar/aprofundar as brincadeiras, e também como envolver vantajosamente os adultos da comunidade escolar no projeto.

Embora o número de sessões pareça sempre insuficiente para chegar a conclusões elaboradas, por várias razões sei que a passagem dos materiais soltos e dos brinconautas pelos recreios da EB1 Santo Condestável e EB1 Manuel da Maia foi significante para algumas crianças.

“Vocês voltam?”
“Não há mais Macaquinho do Xinês?”
“Dou-vos 1000 rebuçados para continuarem a vir à escola!”

No outro dia li algures estes versos de Ricardo Reis: “Sê todo em cada coisa. Põe quanto és/ No mínimo que fazes.”, e pensei “Isto é o que somos quando brincamos, um todo.”.

Maria João Petrucci, brinconauta da Associação 1,2,3 Macaquinho do Xinês

Intervenção em parceria com Centro Doutor João Santos Casa Da Praia com apoio do programa Academias Gulbenkian do Conhecimento.

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